Brasileiro é premiado em maior evento de tecnologia do mundo com startup que promete revolucionar a publicidade

Brunno Attorre mostrando o funcionamento da tecnologia
Você já imaginou gravar um vídeo no seu quarto, com a parede ao fundo, e poder inserir nesse espaço uma propaganda, automaticamente, fazendo parecer que a marca do seu patrocinador sempre esteve naquele lugar? Ou então assistir vídeos que apareçam publicidade, mas de uma forma mais sutil, sem aquele monte de banner e telas.

Pois é, foi mais ou menos isso que o brasileiro Brunno Attorre, junto com o americano, Bill Marino, pensou para revolucionar a publicidade no futuro. Os dois criaram a empresa Uru, um dos projetos premiados no maior evento de tecnologia da informação do mundo, o WCTI Brasil 2016, realizado no início de outubro em Brasília.

Brunno Attorre é natural de Americana, interior paulista. Formou-se em Ciências da Computação pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e fez mestrado em Ciências da Computação, na Universidade de Cornell, nos Estados Unidos.

Segundo ele, a Uru nasceu a partir de uma aula na universidade americana, que, inclusive, financiou com US$ 100 mil o início do projeto. A tecnologia, segundo Attorre ainda não está finalizada, mas já teve sua primeira versão Beta disponibilizada a clientes específicos gratuitamente. Quando lançada oficialmente, a plataforma deverá ser paga.

Bill Marino e Brunno Attorre, fundadores da Uru e vencedores do prêmio WCTI Brasil 2016

Confira a entrevista que Attorre concedeu ao Fique Ciente!

Como surgiu seu interesse por computação?

Desde pequeno sempre gostei de vídeo games e de computadores. Meu interesse não era apenas jogar ou brincar com esses equipamentos, mas, também, entender como eles funcionam e criar novas coisas. Lembro que quando era adolescente, gostava de usar uma aplicação chamada RPG Maker, que permitia criar seus próprios jogos de computador o que, eventualmente, me levou a ir mais a fundo e aprender a programar de verdade.

Como foi seu ingresso na Universidade de Cornell? Como surgiu o interesse de estudar lá?

Eu sempre tive o interesse de vir fazer meu mestrado numa faculdade dos Estados Unidos. Devido a isso, juntei uma grana do tempo que trabalhei aí no Brasil, juntamente com uma ajuda da família, e me inscrevi para fazer o mestrado em diversas universidades daqui. Cornell sempre foi minha primeira escolha devido a sua excelente reputação e, também, devido ao programa novo deles aqui na cidade de Nova York, chamado Cornell Tech, que é extremamente focado em formar empreendedores.

Como surgiu a ideia da Uru?

Nossa ideia surgiu durante uma classe de Cornell chamada Startup Studio. Nessa classe, nós formamos times que têm, como finalidade, criar uma tecnologia com o objetivo de torná-la uma empresa. O inicio do projeto se deu devido ao fato do meu co-founder, Bill Marino, ter acabado de ler Ready Player One, um livro de ficção que mostra um mundo onde as pessoas passam a maior parte do seu tempo na realidade virtual.

A partir daí, pensamos como que a propaganda em vídeo se adaptaria a esse novo cenário e chegamos à conclusão que os métodos que usamos hoje não serão adequados a esses meios. Imagine, você está numa experiência imersiva de realidade virtual e, de repente, um banner aparece na sua frente... retira toda a imersão da experiência.

No entanto, uma alternativa seria, ao invés de usar esses meios de propaganda intrusivos, utilizar do próprio ambiente, como as superfícies de um cenário virtual, e colocar propagandas no mesmo. Essa foi a ideia que resolvemos seguir em frente.

Uma vez com a ideia consolidada, com um pouco mais de pesquisa, chegamos a conclusão que a mesma deficiência que existe para realidade virtual também existe para vídeo. É só notar que cada vez usamos ad-blockers e pulamos/fechamos os anúncios em vídeos que assistimos. Outro ponto positivo de focarmos em vídeo é que, enquanto a realidade virtual está a alguns anos de se tornar mainstream, vídeo é o principal meio digital para a maioria dos usuários da internet.

Como funciona?

Essa é a parte mais legal, pois é uma tecnologia bastante interessante. Nossa plataforma se baseia num ramo da computação chamado Computer Vision (ou visão computacional). Basicamente, esse braço da ciência da computação estuda como fazer máquinas e computadores entenderem estímulos visuais (vídeos, imagens, etc...) da mesma forma que nós seres humanos, por meio da inteligência artificial.

A partir daí, quando um usuário faz o upload de seu vídeo para nossa plataforma, esse vai, automaticamente ao nosso módulo de visão computacional que entende o vídeo e mapeia as superfícies que existem dentro do mesmo. Por fim, caso uma marca ou anunciante queira patrocinar seu vídeo, inserimos a arte dele nessa superfície de uma forma inteligente, fazendo com que realmente pareça que a arte está lá.

Por exemplo, vamos dizer que você acabou de gravar um vídeo em frente a uma parede na sua casa. Caso alguma marca queira anunciar algo, nossa plataforma automaticamente identifica a parede atrás de você e coloca a marca do anunciante na mesma.

Já existem interessados na plataforma?

Sim! A gente lançou nossa primeira versão Beta da nossa tecnologia para alguns clientes em especifico que vão de grandes produtores de conteúdo a produtores independentes (youtubers).

Como seria o uso dela? Seria pago ou gratuito?

A fase Beta é gratuita, mas é para um número limitado de pessoas. Uma vez que lançarmos a versão oficial, o uso dela será pago.

Quais os próximos passos de desenvolvimento da tecnologia?  

No momento, estamos fechando nosso segundo round de investimentos no valor de US$700 mil para podermos contratar mais desenvolvedores e pesquisadores e evoluir nossa empresa. Temos diversos desafios a frente que vão desde coisas simples relacionadas a plataforma em si até coisas mais avançadas como melhorar nossos algoritmos e nossa engine de inteligência artificial.

Você acha que estar em uma universidade fora do país ajudou no processo de desenvolvimento da tecnologia? Se sim, como?

Com certeza, por dois motivos principais. O primeiro, Cornell é uma das melhores faculdades do mundo (entre as 20 primeiras de Ciência da Computação) e uma das líderes em pesquisa no campo de Computer Vision, o que nos ajudou enormemente na hora de desenvolver nossa tecnologia.

Em segundo lugar, o programa de Cornell Tech é extremamente voltado a formar empreendedores, inclusive ao proporcionar um prêmio no valor de US$100 mil como investimento para as melhores empresas provenientes de Cornell. Nós fomos uma das empresas ganhadoras e, sem esse pontapé inicial, com certeza não estaríamos aqui.

No exterior, você percebe maior incentivo à inovação e empreendedorismo? Se sim, como esse incentivo se dá?

Aqui nos Estados Unidos o mercado é muito voltado a incentivar empreendedores, inclusive na área de tecnologia. Tanto as universidades, como as diversas instituições de investimentos estão sempre procurando novas oportunidades.

Aqui também os investimentos são cada vez mais voltados para times mais técnicos do que times com grandes planos de negócio. Acredito que isso contribui a um processo mais acelerado de inovação e de criação de empresas com tecnologias super interessantes, ao invés de focar no tradicional modelo que existia a alguns anos atrás onde se olhava mais para a projeção de lucro imediata do que para o potencial de determinada tecnologia.

Qual a importância da premiação no WCIT 2016?

Muito importante. Fomos selecionados entre centenas de outras startups devido ao nosso potencial de mudar o meio de propagandas atual. Além disso, a divulgação e a publicidade que recebemos no evento ajudou bastante em conseguir novos clientes e contatos com personalidades importantes do cenário de tecnologia atual.

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2 comentários:

  1. Parabéns!!! Por mais que muitos brasileiros tentam nos colocar para baixo, surgem os que levantam a nossa moral.Já fiquei curioso para ver o programa funcionando.

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  2. Olá, Wilson!
    Muito legal o trabalho da Uru, né?
    Também estamos ansiosos para ver o programa funcionando! Enquanto isso, dá para ver uma palhinha no site da empresa: http://uruvideo.com/
    Obrigada por participar e acompanhar o Fique Ciente! Abraço!

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