Fique Ciente entrevista Paul Zaloom, de 'O Mundo de Beakman"


BADA-BING! BADA-BANG! BADA-BOOM!

O entrevistado misterioso do Fique Ciente é Paul Zaloom, o Beakman de “O Mundo de Beakman”, um dos programas mais nerds da década de 1990. Exibido no Brasil pela TV Cultura, inspirou muitas crianças brasileiras – e de mais de 90 países – a se interessarem por ciência e até mesmo a seguir esta carreira.

Com a máxima de que “a única pergunta boba é aquela que não é feita” o programa respondia cartas de crianças – e adultos – com questões relacionadas a ciência, tecnologia e história. Beakman, interpretado por Zaloom, ao lado de seu rato de laboratório, Lester (Mark Ritts), e de assistentes como Rosie (Alana Ubach), Liza (Eliza Schneider) e Phoebe (Senta Moses), que mudaram ao longo da série, respondia as dúvidas de um jeito dinâmico e divertido em que ficava fácil entender conceitos de física, química e matemática.


No primeiro episódio da primeira temporada do programa, Beakman explicou sua missão: “Aqui estou na minha missão monumental de descrever como funciona o mundo. De explicar os mistérios do universo, para explicar a vida de um jeito que você nunca ouviu antes, para descrever as coisas de um jeito que agora você vai entender.”


O Desafio do Beakman era outra atração do programa. O cientista propunha desafios ao rato Lester que sempre dizia serem impossíveis. A ideia era fazer experiências no ar que podiam ser replicadas em casa pelas crianças.

O programa foi exibido no mundo todo, mas estourou mesmo na América Latina. No auge da audiência, mais de 1.500 cartas com dúvidas eram recebidas por semana. A inspiração para o show veio de uma tirinha em quadrinhos “You Can With Beakman and Jax”, escrita por Jok Church, em que dois personagens respondiam questões sobre ciência enviadas por leitores.

Apesar de não ser cientista, o programa estrelado por Zaloom fez muito sucesso e contribuiu muito para a divulgação científica.

Pra quem quer conhecer Zaloom em carne e osso, pode se animar. Ele participará do evento Campinas Anime Fest, que será realizado em Campinas, em 21 de agosto de 2016.

Com a palavra, querido Beakman! Ops, Paul Zaloom!

De onde surgiu a ideia de criar O Mundo de Beakman?

O personagem foi criado por Jok Church na sua coluna, “U Can with Beakman and Jax,”, que fez muito sucesso em todo os Estados Unidos e Canadá por muitos anos. A Columbia Pictures Television decidiu que essa coluna, onde crianças escreviam suas perguntas sobre ciências e o Beakman respondia, daria um excelente programa de TV. Então eles fizeram um!

Uma vez contratado para interpretar o Beakman, os produtores deixaram claro que eu não fui contratado para ajudar a criar o show ou coproduzir os scripts. Mas decidi voluntariar meu tempo para criar vários elementos presentes no show porque sabia que seria divertido e minha contribuição poderia ser de grande valor para o projeto inteiro.


O mundo de Beakman foi um sucesso internacional. Você esperava isso?

Não. De maneira alguma. Não o sucesso que o show teve no México, Brasil e resto da América Latina! O show foi considerado um programa cult nos Estados Unidos, mas não foi tão popular. Foi bastante popular entre o público nerd e seus pais nos Estados Unidos. Mais de 50% da audiência era de adultos. Por quê? Adultos me disseram que ciência era difícil de entender, mas eles sabiam que entenderiam em um programa com linguajar infantil. Muitas vezes me perguntei porque o show fez tanto sucesso na América Latina. Muitos me diziam que era pelo programa ser bom explicando ciência, era divertido, muito melhor que outros programas infantis, etc. Mas eu realmente acho que tem algo mais. O show falava diretamente com as crianças, apelando num nível emocional elevado, olho no olho, bem próximo da câmera. Essa ligação emocional pode explicar a paixão que o público latino sente pelo programa.

Você não é um cientista. Isso era um problema para apresentar o show?

Eu sempre fui interessado em ciência, particularmente por ciências naturais, e esse interesse começou quando eu era criança. Eu fui num acampamento de verão em New England, quando era menor, e gastávamos bastante tempo na floresta, onde aprendi muito sobre ecologia, flora e fauna da floresta setentrional. Nunca perdi o interesse e sou muito grato por essa experiência.

Como adulto, tentei continuar cultivando minha curiosidade que é um elemento consciente de toda criança. Uma das maneiras de fazer esse cultivo é observando, de maneira crítica, o mundo que nos rodeia, mantendo o interesse em saber como as coisas funcionam e como os vários elementos de nossa existência se inter-relacionam e interagem.

Então não foi tão difícil pra mim. Eu sou um apresentador e educador, e meu trabalho para adultos sempre teve um caráter informativo.

Crianças, professores e cientistas costumavam enviar várias cartas para o seu programa. Como vocês conseguiam essa interação?

Nós realmente líamos todas as cartas que as crianças enviavam para nós e tirávamos os temas para os episódios dessas cartas. Houve uma época em que nós estávamos recebendo mais de 1.500 cartas por semana. No começo da produção do programa, nós não tínhamos nenhuma carta, então nós usamos algumas perguntas que crianças fizeram na coluna do jornal até que as cartas começaram a aparecer em nosso escritório.

Você acha que o Beakman influenciou crianças de todo mundo a seguir a carreira científica?

Eu tenho dito para muitas pessoas, especialmente na América Latina, que O Mundo de Beakman foi uma grande influência sobre eles quando cresceram.

Incontáveis pessoas disseram-me que são físicos, médicos, professores, químicos, biólogos e etc por causa de O Mundo de Beakman. Isso é realmente gratificante e maravilhoso de se ouvir.

Pinguins Dan e Léo também faziam parte do elenco
Qual o legado que O Mundo de Beakman deixou?

Nós esperávamos que o show estimulasse a curiosidade das pessoas, sua boa vontade de se abrir para novas ideias, seu sentido de jogo e diversão e seu desejo de aprender.

Queríamos introduzir a ciência para as pessoas de uma forma muito criativa e que iria inspirá-las em seu trabalho. Se as pessoas conseguem pensar em ciência de uma maneira mais criativa, teremos uma quantidade maior de inovações para enfrentar os futuros desafios de nosso planeta.

Mas uma importante parte desse legado é que pessoas riram e tiveram um tempo bom assistindo ao programa. Isso é muito importante para mim. Nos todos podemos utilizar a risada em nossas vidas.

Existem planos para filmar novos episódios?

Não. Seria muito caro fazer um programa como no Beakman hoje. Programas de TV para crianças, atualmente, são feitos com muito pouco dinheiro, porque as redes e estúdios não querem gastar dinheiro em programação infantil. É muito triste.

Não quer perder nenhuma postagem do Fique Ciente? Então siga o blog nas redes sociais!
Facebook: https://www.facebook.com/blogfiqueciente
Twitter: https://twitter.com/blogfiqueciente

Nenhum comentário:

Postar um comentário