Observatório Municipal de Campinas oferece turismo astronômico na cidade


Crédito: Leo Froes
A paixão de Julio Lobo pela astronomia começou ainda na infância. Aos nove anos, quando estava cruzando a Avenida Saudade, em Campinas, avistou um meteoro gigante. “Não sabia o que era aquilo. Fiquei maluco. Clareou o para-brisa do carro e meu pai me explicou que os meteoros são os restos das pedrinhas do céu. Meu interesse despertou aí”, conta. Este primeiro contato de Julio Lobo com a astronomia mudou por completo sua vida. Há 39 anos, o Lobo está à frente do Observatório Municipal de Campinas Jean Nicolini e tenta inspirar um público crescente sobre os fascínios da astronomia e a observação dos astros.

Após avistar o meteoro, Lobo ganhou um telescópio e formou um grupinho de astronomia com alguns amigos do ginásio. “Ficamos sabendo que o Observatório estava sendo construído. Cheguei aqui em 1976 com mais três amigos e fiz amizade com Jean Nicolini. Jamais imaginaria que seguiria uma vida e uma carreira neste lugar”, se recorda.

Julio Lobo aprendeu tudo na prática. Após oito anos sendo monitor voluntário e aprendiz no Observatório foi contratado para trabalhar no local em 15 de janeiro de 1985. E lá se vão quase 40 anos e mais de 800 domingos de plantão no espaço, localizado no Pico das Cabras, em Joaquim Egídio, distrito de Campinas.

Julio Lobo: quase 40 anos de dedicação ao Observatório
O local inaugurou uma nova forma de turismo no Brasil, o astronômico. Todos os domingos, das 17h às 21h, a equipe reduzida do Observatório recebe o público e explica sobre os planetas, estrelas, mitologia e disponibiliza telescópios para observação. No dia em que o Fique Ciente esteve no local, foi possível observar Júpiter, Saturno e seus anéis e a Lua. “Aqui conseguimos transmitir algo para o público, para que ele volte mais vezes e leve a reflexão para casa de que existem mais coisas. Fazendo isso, deixamos o mundo um pouco melhor. É a conta gotas. A partir daqui as pessoas passam a olhar o céu e divulgar para amigos. A divulgação não é só científica, é também turística, o turismo astronômico”, explica.

As quase quatro décadas de Lobo no local permitiram que ele fizesse o roteiro com diversas gerações de famílias. “Já estou na minha terceira geração. O pai que trouxe o filho, o filho que virou pai e aí vem avô, filho e neto. Quero ter forças para atender a quarta geração. Mostrar coisas que ficam para sempre gravadas na vida das pessoas: os anéis de saturno, as crateras da Lua...”. Lívia Moura de Amaral, de oito anos, também terá essas imagens gravadas por muitos anos. “Júpiter foi o que eu vi de mais legal. É o meu planeta preferido”, afirma a garotinha em sua primeira visita a um observatório.

O frio intenso e a dificuldade de se chegar ao local não espanta o público. Pelo contrário. O Observatório tem sido cada vez mais visitado. Só em 2015, foram quase 20 mil pessoas recebidas no espaço. “No ano passado batemos todos os recordes de público. Em um ano, recebemos mais visitantes do que nos outros quatro anos juntos”, afirma Lobo. A explicação para o aumento expressivo foi a realização do evento Food Truck nas Estrelas, para divulgar o espaço. “Nos primeiros eventos, as pessoas vinham pela comida. Depois, começaram a vir para observar o céu”, afirma.

Atualmente, as grandes atividades do Observatório Municipal Jean Nicolili são a divulgação e trabalhos educacionais, com o atendimento a escolas. O espaço também iniciou projeto de instalação de câmeras, parecidas com as de vigilância, focadas para o céu para registro de meteoros. “Outros Observatórios também têm essas câmeras, então quando passa um meteoro, sabemos sua órbita. Para o sistema funcionar, precisa contar com a participação de vários pesquisadores e cidades com os equipamentos”, afirma. Duas câmeras já foram instaladas em Campinas. Faltam outras duas, que esperam a compra ou doação de dois computadores para funcionarem.

Com um laser, Julio Lobo mostra aos visitantes as constelações durante a visita ao Observatório. Crédito: Carlos Bassan
Museu aberto

Ao lado do Observatório, está sendo construído um novo espaço para o turismo astronômico em Campinas. A proposta é a construção de um museu aberto, que contará com um astroteatro para 80 pessoas, com sessões comandadas por Julio Lobo, um formigário e um jardim sensorial. O espaço é privado.

“A ideia é que o Observatório também passasse por um reforma e quando isso fosse concluído, teríamos o maior complexo de astronomia do Brasil”, afirma. O sonho da reforma, que contaria com a instalação de mais quatro telescópios, a construção de um estacionamento e de uma área de restaurante, terá que ser adiado. Uma nova licitação será aberta para a execução da obra.

Área em que está sendo instalado o astroteatro. Crédito: Arquivo pessoal
Programe-se

O Observatório Municipal Jean Nicolini está situado na zona rural, a 32 km do Centro de Campinas e 17 km do Distrito de Joaquim Egídio. Em dias de chuva, o Observatório não abre. Com tempo nublado, não há observações ao telescópio, apenas atividades explanativas.

Quem se interessar em visitar deve se atentar as condições do veículo, já que não há postos de combustível nas proximidades. Leve sempre um agasalho – mesmo no Verão. Evite noites de Lua cheia – a luz da Lua atrapalha um pouco a observação. Se a ideia é levar crianças, lembre-se de levar um lanchinho. Não há lanchonetes nas proximidades. Infelizmente, não há transportes públicos para o local.

Outra dica é esquecer o celular. A luz da tela atrapalha a observação e o céu é muito mais interessante do que o aparelho. Ao chegar, deixe o carro em farol baixo.

Horário de funcionamento aos domingos: 17h às 21h.
Endereço: Estrada do Capricórnio, s/n, Campinas – SP
Informações: (19) 3298-6566 (a partir das 17h)
Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$ 2,00 (meia)

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