Marchinhas de Carnaval? Só se pedalar!


Os foliões que vão curtir o Bloco do Pedal, no Carnaval de rua de São Paulo, terão que pedalar para poder pular ao som das marchinhas.  A cidade que tem incentivado o uso de bicicletas nos últimos anos, terá o primeiro bloco de Carnaval em que a energia para os equipamentos de som e luz será gerada por oito bicicletas, instaladas em uma plataforma móvel. O Bloco do Pedal sairá em 6 e 7 de fevereiro de 2016, das 17h às 21h, na Vila Mariana, na Capital paulista. A expectativa é reunir mais de mil foliões.

Os foliões que seguirem o Bloco do Pedal serão convidados a subir na plataforma móvel para pedalar e, assim, gerar a energia necessária para as caixas acústicas e o sistema de luz. Segundo o engenheiro eletricista, José Carlos Armelin, o sistema desenvolvido pela empresa Pedal Sustentável não prevê o uso ou armazenamento de energia em baterias ou tomadas elétricas. “Para que as pessoas se divirtam, é necessário que haja foliões pedalando na plataforma. Este é um sistema de energia limpa que evita a acumulação de resíduos poluentes, como pilhas e baterias”, afirma Armelin, que há oito anos, realiza eventos com energia gerada por bicicletas.

No Bloco do Pedal, todas as pessoas poderão pedalar. O bloco contará com bicicletas especiais para que crianças e cadeirantes consigam acionar o equipamento pelas mãos.

Pedal Sustentável já realizou eventos em três Estados brasileiros
Pedal Sustentável

A dupla Armelin e Maria Filomena, produtora-executiva de eventos da empresa Pedal Sustentável, está acostumada a realizar eventos com o uso de energia oriundo das bicicletas. Em dezembro de 2015, por exemplo, o shopping Pátio Paulista, em São Paulo, instalou cinco árvores de Natal, que tinham suas mil lâmpadas de LED cada acesas com energia gerada por bikes.

“Quando começamos com o Pedal Sustentável as pessoas olhavam e ficavam desconfiadas, não entendiam direito e ficavam procurando uma tomada. Hoje, a reação é bem diferente. De longe, as pessoas olham e sabem como funciona. Elas vêm para pedalar e para saber como vamos usar a energia delas. É comum em um dia todo de evento, mais de 300 pessoas pedalarem em cada bicicleta”, explica o engenheiro eletricista. A dupla do Pedal Sustentável já realizou eventos científicos e ambientais em cidades do Estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Para a geração da eletricidade, é instalado nas bicicletas um Pedal Sustentável – um rolo de treino que possui um gerador elétrico. Esse pedal encosta no sistema de fricção da roda traseira da bike e com a pedalada do ciclista, a eletricidade é gerada. O sistema produz 150 Watts de energia, nas voltagens 14VCC e 127VAC, o suficiente para conectar aparelhos de TV, notebook lâmpadas e rádios, por exemplo.



Armelin explica que a capacidade de gerar eletricidade está diretamente ligada as condições físicas de cada pedalador, divididos em três categorias: sedentário, esportista e atleta. A classificação foi feita a partir da observação dos usuários do Pedal Sustentável.

Os pedaladores classificados como sedentários são aqueles que não praticam atividade física regularmente e geram até 50 Watts de energia, suficiente para o funcionamento de uma TV de LED de 27 polegadas por cinco minutos. Os esportistas praticam atividade física três vezes na semana e geram até 80 Watts de energia, o que daria para funcionar uma TV de LED de 32 polegadas por duas horas. O atleta, pratica atividade esportiva diariamente e gera até 150 Watts, o suficiente para manter uma “balada sustentável” com som alto e iluminação por oito horas. Mas atenção, o local dessa balada precisaria ter no máximo 100 m² e público de 100 pessoas.

A história do Pedal Sustentável começou na década de 70, quando Armelin encontrou um dínamo  de bicicleta na casa de um tio, que foi instalado em uma bicicletinha. Aos dez anos, o hoje engenheiro eletricista descobriu na prática que o dínamo transformava energia mecânica em elétrica e ascendia pequenos faróis. Depois de se formar em técnico em eletrônica e engenheiro eletricista e trabalhar com telefonia por mais de uma década, Armelin começou a lecionar em um curso técnico de mecatrônica, em 2002.

Como ia trabalhar diariamente de bicicleta, a coordenação do colégio o convidou para falar com os alunos sobre temas ambientais. “Comecei apresentando na sala de aula algumas transparências, mas logo percebi que os alunos prestavam pouca atenção naquilo. Foi aí que decidi instalar um gerador elétrico automotivo em minha bicicleta e a levei para aula para tratar o tema sustentabilidade. Os alunos ficaram fascinados com a possibilidade de pedalar e escutar música com aquela energia. Depois disso, ficou mais fácil atrair atenção deles para os temas ambientais”, conta.

Em 2008, Armelin fundou a banca CO2 Zero, que até hoje realiza shows de rock com a temática ambiental com a energia gerada pelo público, adivinha, nas bicicletas. “Em 2010, minhas pesquisas sobre geradores elétricos dobraram a eficiência de geração de eletricidade sobre bicicletas e então substitui os rudimentares alternadores automotivos pela nova tecnologia. Era comum após o show as pessoas me procurarem para saber sobre as bicicletas geradoras, querendo comprar ou locar. Foi então que desenvolvi, entre 2011 e 2012, um modelo no formato rolo de treino, em que você pode colocar a sua bicicleta, um produto mais eficiente e duradouro”, conta. Atualmente, a empresa trabalha apenas com a locação das bicicletas para eventos.



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