Alunos desenvolvem sistema para avisar pais que esqueceram crianças dentro do carro


Um grupo de alunos do curso técnico em mecatrônica do Colégio Dom Bosco, em Americana, interior paulista, desenvolveu um assento infantil automatizado, com sistema que avisa os condutores do esquecimento de crianças dentro do veículo. A ideia é que o equipamento evite a morte das crianças esquecidas por hipertemia. O ineditismo do trabalho, segundo os desenvolvedores, está no uso do telefone celular para avisar os pais ou condutores que as crianças foram esquecidas dentro do veículo. De acordo com o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, ocorreram no Brasil 36 óbitos por exposição excessiva ao calor, entre 1996 e 2013. Na literatura americana, estima-se 38 mortes por ano de crianças vítimas de hipertermia.

Para avisar os pais ou condutores do esquecimento das crianças no carro, foram instalados dois sensores de acionamento em pontos estratégicos do assento infantil, as cadeirinhas, usadas para transporte das crianças. Esses sensores certificam a presença das crianças na cadeirinha e enviam informações para a placa microcontroladora. Depois disso, a presença do condutor dentro do veículo é identificada por meio do sensor de presença instalado no banco.

“Caso as especificações da programação da placa microcontroladora não sejam atendidas, ou seja, os sensores detectem a presença da criança na cadeirinha e ausência do condutor, o sistema envia uma mensagem SMS ou realiza chamada para o número de celular programado, utilizando um modelo GSM, conectado a placa microcontroladora”, explica Thiago Batajello, um dos integrantes do projeto. A mensagem e ligação são realizadas dois minutos depois de detectada a ausência do condutor. O alarme sonoro também é disparado e os vidros elétricos são baixados automaticamente, para aliviar a temperatura e aumentar a circulação do ar dentro do veículo. “Desta forma, as chances de ocorrer fatalidades serão mínimas”, afirma Batajello.

O equipamento foi produzido por Batajello, Danielo Pezzato, Rodolfo Hass e Rodrigo Brugnerotto, com orientação de professores do curso. Os alunos estimam que o custo do equipamento seja de R$ 1.800,00. Eles já entraram com o pedido de patente do assento infantil automatizado e apresentaram um protótipo do produto na XX Mostec, feira de exposição dos trabalhos realizado no curso técnico em mecatrônica do Colégio Dom Bosco, em novembro de 2015.

Equipamento desenvolvido pelos estudantes
Hipertermia

A causa da morte de crianças esquecidas no carro ocorre devido a um colapso respiratório - um choque - seguido de disfunção neurológica, chamada de hipertermia. Segundo Andréa Fraga, professora doutora do departamento de pediatria da Faculdade de Ciências Médicas (FCM),  da Unicamp, a  hipertermia é definida como temperatura corpórea maior ou igual a 41ºC. “Durante a exposição a altas temperaturas em ambiente fechado, o organismo reage aumentando a frequência cardíaca, a pele fica seca e quente com coloração rósea ou cinzenta, dependendo do estado de comprometimento circulatório do indivíduo”, explica.

Andréa afirma que segundo literatura americana, o aumento da temperatura em ambiente fechado inicia-se nos primeiros cinco minutos e atinge o seu máximo entre 45 e 60 minutos. “Dependendo da idade da criança, características individuais e de comportamento, o óbito pode ocorrer nessa faixa de tempo”, diz. Estudos americanos mostram que mesmo em dias de temperatura mais amena, se o carro estiver exposto ao sol, é possível a ocorrência do óbito de crianças por esquecimento dentro dos veículos.

A professora da FCM, da Unicamp, explica que o sistema termorregulador na criança é menos desenvolvido se comparado ao de um adulto, portanto,  elas  têm menos mecanismos compensatórios. Além disso, se o adulto está em condições neurológicas adequadas, ele consegue promover algum tipo de resfriamento.

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