60% das mulheres são diagnosticadas com câncer de mama em estágio inicial


No mês de outubro é realizada a campanha “Outubro Rosa” para conscientizar sobre a importância do diagnóstico precoce do câncer de mama – tumor mais comum entre as mulheres. Pesquisa realizada pelo Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp) mostra que 60% das mulheres têm doença diagnosticada ainda no estágio inicial, o que pode aumentar em 90% as chances de cura. O levantamento mostra que as mulheres estão mais atentas à saúde, mas o número ainda está abaixo do índice encontrado em países mais desenvolvidos, em que 80% dos casos são diagnosticados precocemente. O Icesp é ligado à Secretaria de Estado da Saúde e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

O estudo analisou atendimentos realizados durante um período de cinco anos, totalizando mais de quatro mil pacientes, no Icesp, que atende pacientes de todo o País. Segundo a oncologista Laura Testa, o diagnóstico precoce permite tratamentos mais eficazes e menos agressivos. “Nossos números comprovam que as mulheres estão, sim, mais atentas à própria saúde, principalmente pela facilidade de acesso a informação e à prevenção, mas quando comparamos com as estimativas de países mais desenvolvidos, em que 80% dos casos são diagnosticados precocemente, percebemos que ainda há muito para avançar.”

É importante que as pacientes, ao notar qualquer mudança no corpo, procurem ajuda médica. A realização de exames de rotina, como a mamografia, ajudam a rastrear lesões ou mesmo o câncer no início e é recomendada a todas as mulheres com mais de 40 anos, ou antes, dependendo dos fatores de risco e da indicação médica.

Teresa Cipriano Borelli foi diagnosticada com câncer de mama em estágio inicial em 1999. “Faço exames anualmente e está tudo bem. Tomei quimioterapia e radioterapia, fiz quadrantectomia, preservando a mama. O câncer foi detectado no ducto e era evasivo, mas como foi detectado no início e feito todo o tratamento, estou curada”, afirma. Teresa é uma das fundadoras do Grupo de Mãos Dadas, de Limeira, com o objetivo de dar apoio psicológico e orientação às mulheres.  Ela é voluntária capacitada no diagnostico e ministra palestras para alertar as mulheres sobre a importância do diagnostico precoce do câncer de mama.

O câncer de mama é o tipo de tumor mais comum entre as mulheres. No Brasil, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), corresponde a 25% dos novos casos de tumores por ano – representando uma estimativa de mais de 57 mil novos casos somente em 2015.

Auxiliadora Santos, de Cotia, descobriu a doença com 36 anos, quando amamentava o terceiro filho. “Percebi que meus seios estavam estranhos, vermelhos. Fiz a mamografia e fui diagnosticada. Foi muito triste, pois tive que parar de amamentar. Chorei muito”, conta. Auxiliadora, hoje com 40 anos, descobriu a doença em estágio avançado e teve que retirar as duas mamas. Em 26 de outubro de 2015, fará sua última sessão de quimioterapia. “Campanhas como o Outubro Rosa são fundamentais para todas as mulheres. “Tenho muita fé que tudo vai dar certo. Já deu. Estou viva e cuidando dos meus filhos”, afirma.

No Icesp, o grupo de Mastologia realiza mais de 1,2 mil atendimentos por mês, entre consultas médicas e cirurgias. “Embora sejam os mais prevalentes, os tumores de mama são passíveis de prevenção e têm grande potencial de serem diagnosticados no início. Por isso, levantamos a bandeira da conscientização sobre o tema”, destaca o oncologista e diretor-geral do Instituto, Paulo Hoff, ressaltando a importância do Outubro Rosa.

Conheça as formas de diagnóstico do câncer de mama




Segundo o Hospital do Câncer de Barretos, após os 40 anos, a mamografia começa a ser um exame importante para a detecção do câncer de mama. É recomendado que o exame seja feito pelo menos uma vez por ano. O ideal seria que todas as mulheres procurassem um mastologista para acompanhamento e exame anual, mas principalmente a partir dos 40 anos, o exame de rotina é fundamental.

Além da mamografia, outros exames podem detectar alterações da mama como o exame clínico, ultrassonografia, e ressonância nuclear magnética. O exame clínico é realizado por meio da apalpação das mamas, por médico ou enfermeiro treinado, que pode detectar tumores superficiais a partir de 1 cm.

A ultrassonografia avalia a forma e consistência da mama, ajudando a diferenciar os nódulos sólidos dos cistos. De acordo com a publicação A mulher e o câncer de mama no Brasil, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca) e Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a ultrassonografia é utilizada no diagnóstico, no acompanhamento de lesões e para a realização de biópsias com agulhas, pois mostra o local da lesão e orienta o médico sobre a área a ser examinada.

A ressonância nuclear magnética utiliza um campo magnético para a produção de imagens do corpo humano, sem utilização de radiação e pode ser usada de forma complementar aos outros exames.

A publicação do Inca lembra que quando há suspeita da malignidade, é necessária a confirmação do diagnóstico por meio da biópsia. A técnica consiste na retirada de um pedação do nódulo suspeito ou do nódulo inteiro, por meio de uma pequena cirurgia ou de punções. O material retirado é analisado pelo patologista para a definição do tratamento mais adequado.


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