5 inovações campineiras

Há quem diga que a melhor invenção campineira é o sanduíche boquinha de anjo. Estou longe de discordar! O sanduíche é realmente delicioso com um bom copo de cerveja. Mas espera. A garrafa exclusiva para cerveja também foi desenvolvida em Campinas. Aliás, muitas das tecnologias utilizadas no Brasil – e até no mundo – saíram da cidade. O Fique Ciente lista cinco inovações campineiras, que talvez você não tenha ideia que saíram da cidade. 

A lista é pequena e tem o intuito de curiosidade. Conhece mais alguma pesquisa? Use os comentários para compartilhar com a gente!

1.Garrafa exclusiva para cerveja

Frequentadora assídua de bares e restaurantes do Brasil, a garrafa de uso exclusivo para cerveja foi desenvolvida em Campinas, pelo Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL). A pesquisa teve início em 1990 e três anos depois a garrafa passou a ser introduzida no mercado brasileiro. O objetivo foi oferecer uma garrafa de vidro retornável, portanto, com resistência para suportar o longo vai e vem entre fabricação e consumo e vice-versa.

“As garrafas de vidro retornáveis para cerveja são submetidas a muitos ciclos de reutilização, passando por sucessivos processos de lavagem no recebimento da garrafa de retorno, enchimento com cerveja, aplicação da tampa, processamento térmico e, novamente, distribuição do produto aos pontos de venda”, explica a pesquisadora do ITAL, Sandra Balan Mendonza Jaime. As informações estão na publicação Ciência Agropecuária Paulista: Pesquisa e inovação gerando produtividade e qualidade de vida. 

Crédito: Antonio Carriero


2.Feijão carioquinha

De carioca, o feijão carioquinha não tem nada! Ele é campineiro da gema e foi desenvolvido pelo Instituto Agronômico (IAC), de Campinas, na década de 70. Hoje, ele é o feijão mais consumido no Brasil. Desde seu lançamento, o IAC já desenvolveu 42 cultivares de feijão carioca, sempre mais produtivas, resistente a doenças e com qualidade de grãos superiores a anterior. 

Mas por que o carioquinha tem esse nome, se a preferência do carioca é pelo feijão preto? Há quem diga que o rajadinho dos grãos lembra a calçada de Copacabana, por isso o nome. Ledo engano. O nome se deve a uma raça de porcos da fazenda, no Sul do Brasil, onde o carioca brotou pela primeira vez, no final da década de 1960. 

Crédito: Arquivo IAC


3. Fotografia

A primeira fotografia reconhecida no mundo é atribuída ao francês Joseph Nicéphore Népce, produzida em 1826, em uma placa de estanho, coberta com um derivado de petróleo fotossensível, chamado Betume da Judeia. A imagem foi produzida com uma câmara, sendo exigidas cerca de oito horas de exposição à luz solar. 

O também francês, Antonie Hercule Romuald Florence, que se estabeleceu na então Vila de São Carlos, hoje, Campinas, em 1830, começou a investigar a possibilidade de fixação de imagem utilizando a câmara escura, por meio de um elemento que mudasse de cor pela ação da luz. Em 1833, Hercule Florence realizou experiências fotoquímicas, que deram origem a imagens, batizadas de “photographie”. 

O desenhista, pintor, fotógrafo, tipógrafo, litógrafo, professor e inventor, também é responsável pelo invento da poligrafia – sistema de impressão simultânea de todas as cores primárias. Foi ele também que lançou, em 1842, o primeiro jornal do interior da província de São Paulo, chamado O Paulista. O primeiro jornal de Campinas, o Aurora Campineira, também teve participação de Florence, que o imprimiu em sua litografia.




4. Cartão telefônico

Os telefones públicos, conhecidos nacionalmente por orelhão, estão praticamente em extinção. Desde 2010, a receita líquida mensal por orelhão caiu 80%. Cerca de 50% dos orelhões realizam hoje, menos de duas chamadas por mês. Mas não dá para negar a importância dos telefones públicos, criados em 1971.

A primeira forma de pagamento das ligações nos telefones públicos brasileiros foram as moedas de réis, substituídas pelas de centavos, pelas fichas telefônicas e, finalmente, pelos cartões indutivos, criado pelo campineiro Nelson Guilherme Bardini, com ajuda financeira de Salson Artacho, em 1978.
Bardini desenvolveu, em um quartinho da sua casa, os primeiros cartões indutivos de leitura estática do mundo e tentou convencer, sem sucesso, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), ligado na época à Telebras, a utilizar seu invento. Como o CPqD não deu bola para os cartões, Bardini resolveu pedir demissão, em 1987, e passou a trabalhar junto a Signalcard para aperfeiçoar seu invento. 

Na época, o CPqD estava sendo pressionado pela falta de resultados práticos. Em busca de um projeto de apelo popular, formou um grupo de estudo e desengavetou o projeto de Bardini. Mas, a Signalcard era a detentora dos direitos do cartão indutivo e teve que rolar muita negociação, para em 1992 ser apresentado o primeiro telefone público brasileiro a cartão. 

“Em 1992 a Telebras deveria apresentar os modelos na Eco-92, no Rio. Mas, preocupada com uma possível ação da minha parte por direitos de patente, a Telebras procurou a Signalcard, a nova detentora da patente, sugerindo que a mesma fosse cedida, gratuitamente, para a telefonia pública. Na época, a Signalcard tinha como sócios eu e Dr. Mário Gualberto Pinto Forras. Nós cedemos os direitos com promessas de que, no futuro, iríamos desenvolver projetos em conjunto. Parece que esse futuro sempre será futuro”, contou Bardini, em uma entrevista ao jornal Correio Popular, publicada em 13 de agosto de 2000. 

Crédito: Carlos Bassan


5.Mutirão de catarata

São muitas as contribuições da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para o desenvolvimento da ciência nacional. Para esse top 5 selecionamos um trabalho, dos muitos, para dar destaque: a implantação da cirurgia laboratorial de catarata no Brasil.

Segundo o livro FCM 50 anos: A realidade ultrapassou o sonho, em 1974, o professor da Faculdade de Medicina da Unicamp, Newton Kara José, foi convidado para assumir o posto de diretoria da oftalmologia, com o desafio de reestruturar o serviço. 

O modelo de atuação da disciplina era voltado para a comunidade e ajudou no desenvolvimento da especialidade no Brasil. O projeto Zona Livre de Catarata, iniciado pelo professor, ajudou a expandir a atuação do SUS na cirurgia de catarata, limitada a 60 mil cirurgias na década de 60.

Em 1999, o Ministério da Saúde, com financiamento do SUS, implantou a cirurgia de catarata em larga escala e o Brasil passou a realizar 250 mil cirurgias por ano. Hoje os mutirões de catarata são menos frequentes, mas ainda são realizados alguns eventos demonstrativos.

O Projeto Catarata é reconhecido como uma das mais importantes estratégias para o atendimento de deficientes visuais em países subdesenvolvidos. Premiado internacionalmente foi realizado em Campinas e em outras cidades por mais de 20 anos. Várias equipes foram formadas e levaram a cura para mais de 150 cidades brasileiras, realizando mais de 5 milhões de consultas e 1 milhão de cirurgias.

Crédito: Jornal Gazzeta


2 comentários:

  1. Parabéns, Fernanda, por recuperar essas histórias. Como campineira é muito bom saber de coisas positivas da minha cidade. Está uma graça o seu blog. Desejo muito sucesso. Abraço.

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    1. Ola, Simone! Muito obrigada pelo comentário! Que bom que gostou! Campinas tem muitas instituições de pesquisa e muitos resultados importantes para a ciência nacional... dá para fazer uma lista dessa por mês... quem sabe! Abraço.

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